- Estudo publicado na JAMA Network Open acompanhou 2.282 idosos sem demência por cerca de nove anos e mostrou que quem tem anemia tem 66% a mais de chance de desenvolver demência.
•Ao todo, 15,9% dos participantes evoluíram para algum tipo de demência durante o acompanhamento, mesmo após ajustes para idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas.
- A anemia reduz a quantidade de hemoglobina, o que diminui o oxigênio que chega ao cérebro e pode comprometer memória, atenção e velocidade de processamento.
- A deficiência de vitamina B12 é comum em idosos com anemia e a correção dessa deficiência pode trazer melhoria das funções neurológicas.
- No Brasil, entre 2014 e 2024 ocorreram 136.110 internações por anemia ferropriva, com 80 anos ou mais respondendo por 17,17% dos casos; prevenção envolve alimentação, exames regulares e prática de exercícios.
O estudo, publicado na revista JAMA Network Open, seguiu 2.282 idosos sem demência por cerca de nove anos. Os participantes eram moradores do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen, na Suécia. Ao fim do período, 15,9% desenvolveram demência. Mesmo ajustando fatores como idade e doenças crônicas, a relação entre anemia e comprometimento cognitivo permaneceu significativa.
A pesquisa aponta que idosos com anemia apresentam 66% mais probabilidade de ter demência em comparação com aqueles com hemoglobina em níveis saudáveis. O trabalho reforça a importância de monitorar a função cognitiva em pacientes anêmicos e considerar a anemia como fator de risco envolvido no comprometimento cerebral.
A anemia reduz a oferta de oxigênio ao cérebro, o que pode afetar memória, atenção e velocidade de processamento. O cérebro, de alta demanda energética, pode sofrer alterações funcionais com a deficiência persistente de oxigênio, associadas a lesões vasculares e envelhecimento neural.
Outro ponto relevante é a relação com a deficiência de vitamina B12, comum em idosos. A correção dessa deficiência pode beneficiar tanto a anemia quanto as funções neurológicas, contribuindo para a manutenção cognitiva ao longo do tempo.
O estudo também constatou níveis mais altos de biomarcadores ligados à degeneração cerebral entre idosos anêmicos, incluindo sinais associados a Alzheimer e danos neuronais. Sintomas frequentes de anemia em idosos envolvem fadiga, falhas de memória, dificuldade de concentração e tontura, podendo evoluir para confusão em casos mais graves.
Realidade brasileira e prevenção
Dados de 2025 indicam que, entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 136.110 internações por anemia ferropriva, com 80 anos ou mais representando 17,17% do total. Entre idosos com 60 anos ou mais, as internações somaram quase metade do total registrado nesse período.
A sarcopenia, associada ao envelhecimento, contribui para o aumento da anemia em idosos. Dificuldades de alimentação, como problemas dentários, também elevam o risco, pois reduzem o consumo de fontes de ferro. O uso de medicamentos como AAS e anticoagulantes também pode favorecer sangramentos.
Combate a anemia
A OMS aponta que a anemia afeta cerca de 30% da população mundial. Além de deficiência de ferro, outras etiologias comuns em idosos incluem mielodisplasia e mieloma múltiplo. A prevenção passa por alimentação rica em proteínas, ferro e vitamina B12, exames de rotina e prática regular de atividades físicas, especialmente treino de força.
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