- A China está mudando seu foco econômico, priorizando o setor de serviços, que agora representa 57% do PIB do país.
- O governo chinês anunciou subsídios para empréstimos a empresas de serviços, como entretenimento, turismo e saúde.
- O Ministério do Comércio, por meio de Wang Bo, destacou que a população está gastando mais em serviços do que em bens.
- Apesar do crescimento, a China enfrenta desafios, como a concorrência no setor industrial e a subestimação da contribuição dos serviços nas estatísticas oficiais.
- A transição para um modelo econômico centrado em serviços pode aumentar os preços, mas também reflete um crescimento salarial e dinamismo econômico.
Em meio a desafios como a guerra comercial, a pandemia de covid-19 e a queda no mercado imobiliário, a China está mudando seu foco econômico. O governo começou a enfatizar o crescimento do setor de serviços, que agora representa 57% do PIB do país, superando a manufatura. Essa mudança foi anunciada pelo Politburo do Partido Comunista Chinês, que reconheceu a necessidade de fomentar novas áreas de consumo.
O governo chinês anunciou que irá subsidiar empréstimos para empresas de serviços voltados ao consumidor, como entretenimento, turismo e saúde. Wang Bo, do Ministério do Comércio, destacou que a população está gastando mais em serviços do que em bens, e essa tendência deve se intensificar com o aumento da renda. O setor de serviços já emprega 49% da força de trabalho do país, muitos com formação universitária.
Desafios e Oportunidades
Apesar do crescimento no setor de serviços, a China ainda enfrenta limitações. A rápida expansão da capacidade de fabricação levou a guerras de preços e a um recente declínio no investimento em ativos fixos no setor industrial. Os líderes chineses estão preocupados com a concorrência que prejudica os lucros de todos os envolvidos.
Além disso, a ideologia comunista tradicionalmente valoriza a indústria e a agricultura, deixando os serviços em segundo plano. O sistema estatístico do país, baseado em modelos soviéticos, não captura adequadamente a contribuição dos serviços à economia. Nick Lardy, do Peterson Institute for International Economics, sugere que os serviços de moradia, por exemplo, ainda são subestimados nas estatísticas oficiais.
O Futuro dos Serviços na Economia Chinesa
A transição para um modelo econômico mais centrado em serviços pode ser desafiadora. A “doença dos custos”, conceito do economista William Baumol, sugere que setores de serviços com alta intensidade de mão de obra têm limitações em ganhos de produtividade. Isso pode levar a um aumento nos preços dos serviços, que já estão crescendo mais rapidamente do que os bens industriais.
Entretanto, essa mudança pode ser positiva. O aumento dos preços dos serviços é impulsionado pelo crescimento dos salários, refletindo um dinamismo em outros setores da economia. Se a China continuar a investir no setor de serviços, poderá reduzir a diferença de PIB em relação aos Estados Unidos, onde os serviços têm um preço mais elevado. A evolução do setor terciário pode, assim, ser a chave para a China se tornar uma potência econômica ainda mais significativa.
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