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Economia apresenta sinais de desaquecimento conforme esperado por especialistas

Desemprego cresce com a criação de apenas 129,7 mil vagas em julho, enquanto inadimplência atinge níveis recordes e pressiona a economia brasileira

Comércio na Saara, região central do Rio: alta inadimplência freia consumo (Foto: Gabriel de Paiva)
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  • A economia brasileira mostra sinais de desaceleração com a criação de apenas 129,7 mil vagas formais em julho, uma queda de 32% em relação ao ano anterior.
  • Este é o pior resultado para o mês desde 2020, refletindo os efeitos da alta da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
  • A inadimplência atingiu níveis recordes, com o crédito livre subindo de 6,3% para 6,5% entre junho e julho, o maior nível desde maio de 2013.
  • No acumulado do ano até julho, foram gerados 1,347 milhão de postos de trabalho, 10,3% a menos do que no mesmo período de 2024.
  • Economistas alertam que a combinação de juros altos e aumento da inadimplência pode levar a uma desaceleração econômica mais acentuada nos próximos meses.

A desaceleração da economia brasileira se torna evidente com a criação de apenas 129,7 mil vagas formais em julho, uma queda de 32% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse é o pior resultado para julho desde 2020, refletindo os impactos da alta da taxa Selic, que atualmente está em 15% ao ano. A inadimplência também atingiu níveis recordes, com famílias e empresas enfrentando dificuldades crescentes no crédito.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, no acumulado do ano até julho, foram gerados 1,347 milhão de postos de trabalho, um número 10,3% inferior ao registrado nos primeiros sete meses de 2024. A subsecretária de Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner, atribui essa desaceleração à alta dos juros, que tem reduzido as contratações e gerado incertezas, especialmente em relação às tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras.

Sinais de Arrefecimento

Economistas, como Flávio Serrano, do banco BMG, destacam que os dados de julho são um sinal claro de que a atividade econômica está arrefecendo. A geração de empregos, que vinha surpreendendo positivamente, agora mostra sinais de fraqueza. Serrano observa que, apesar da política de juros restritiva, os efeitos demoram a se manifestar, mas a expectativa é que o segundo semestre apresente um saldo de vagas menor que o da primeira metade do ano.

Por outro lado, José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, aponta que a política fiscal expansionista do governo, com aumento de gastos em programas sociais, ainda sustenta o mercado de trabalho, especialmente no setor de serviços. No entanto, essa situação pode dificultar o controle da inflação pelo Banco Central.

Aumento da Inadimplência

A inadimplência no crédito com recursos livres subiu de 6,3% para 6,5% entre junho e julho, o maior nível desde maio de 2013. No total, incluindo empresas, a inadimplência atingiu 5,2%, o que não se via desde 2017. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, destaca que parte desse aumento é resultado de mudanças na forma de reporte dos bancos, mas também reflete um cenário de juros altos.

O aumento mais significativo na inadimplência foi observado no rotativo do cartão de crédito, que subiu para 60,5%, o maior nível desde o início da série histórica em 2011. O Banco Central está monitorando casos de instituições que informaram taxas acima do permitido por lei, que não podem ultrapassar 100% do valor da dívida.

Esses dados indicam que, apesar de um mercado de trabalho ainda resiliente, a combinação de juros altos e aumento da inadimplência pode levar a uma desaceleração mais acentuada da economia nos próximos meses.

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