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China adota política de produção reduzida para impulsionar preços e combater a involução

Governo chinês busca conter a deflação com cortes de subsídios e foco em setores estratégicos, enquanto a construção civil enfrenta crise aguda

Governo chinês adota estratégia de subsídios para setores de tecnologia avançada, como renováveis, carros elétricos e energia solar (Foto: Reprodução)
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  • A China enfrenta um desafio econômico com superprodução e queda nos preços, resultando em capacidade ociosa e pressão deflacionária.
  • O governo chinês implementou a “política anti-involução” para conter a deflação, focando em cortes de subsídios e setores estratégicos.
  • Empresas foram orientadas a evitar competição predatória por preços, especialmente nos setores automotivo e siderúrgico.
  • O índice de preços ao produtor (PPI) caiu 3,6% em julho em relação ao ano anterior, levando consumidores a adiar compras.
  • A desaceleração da produção na China pode impactar o comércio internacional, afetando países como o Brasil, que já sente os efeitos da entrada de aço chinês a preços mais baixos.

A China enfrenta um desafio econômico significativo, marcado pela superprodução e queda nos preços, levando a uma capacidade ociosa e pressão deflacionária. Para combater essa situação, o governo implementou a “política anti-involução”, que visa conter a deflação por meio de cortes de subsídios e foco em setores estratégicos.

Recentemente, o governo orientou empresas a evitar a competição predatória por preços, especialmente nos setores automotivo e siderúrgico. A construção civil também está em crise, com vendas e preços em queda acentuada. O Comitê Central de Assuntos Econômicos e Financeiros, sob a liderança de Xi Jinping, está priorizando incentivos para empresas mais rentáveis, enquanto as menos competitivas podem ser forçadas a deixar o mercado.

A pressão deflacionária é evidente, com o índice de preços ao produtor (PPI) caindo 3,6% em julho em relação ao ano anterior. Essa queda nos preços tem levado os consumidores a adiar compras, na expectativa de preços ainda mais baixos. O economista Gilmar Masiero, da FEA-USP, destaca que a população chinesa, com a desaceleração da renda durante a pandemia, passou a poupar mais, o que agrava a situação.

Impactos no Comércio Internacional

A desaceleração da produção na China pode ter repercussões globais, afetando países como o Brasil, que é um grande fornecedor de matérias-primas. A siderurgia brasileira, por exemplo, já sente os efeitos da entrada de aço chinês a preços mais baixos. A expectativa é que a campanha “anti-involução” leve a cortes na produção de aço, o que poderia beneficiar o mercado de commodities, como minério de ferro.

Entretanto, analistas da XP alertam que esforços anteriores para reduzir a capacidade siderúrgica tiveram sucesso limitado. A retórica atual carece de implementação concreta, e os governos locais hesitam em fechar unidades produtivas devido a preocupações com arrecadação de impostos e emprego. A previsão é que o preço do minério de ferro se mantenha entre US$ 95 e US$ 100 no segundo semestre de 2025, refletindo a cautela em relação à demanda.

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