- O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou um aumento nas contribuições das instituições financeiras ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
- As novas regras, que entrarão em vigor em junho de 2026, já impactaram as taxas dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que caíram em agosto.
- A remuneração média dos CDBs pós-fixados não ultrapassou 107% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) em agosto, enquanto em julho variou entre 109% e 120% do CDI.
- A contribuição adicional para bancos que captam mais de 60% de seus recursos por produtos cobertos aumentou de 0,01% para 0,02% dos depósitos garantidos, limitando a oferta de taxas elevadas.
- Em agosto, houve uma predominância de CDBs atrelados à inflação, com 356 títulos emitidos, refletindo a busca dos investidores por retornos que superem a inflação.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou um aumento nas contribuições das instituições financeiras ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com impacto imediato nas taxas dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Embora as novas regras entrem em vigor apenas em junho de 2026, já se observou uma queda nas taxas de remuneração dos CDBs em agosto, com a média abaixo do CDI.
Levantamento da Quantum Finance, solicitado pelo InfoMoney, revela que a remuneração dos CDBs pós-fixados não ultrapassou 107% do CDI em agosto, enquanto em julho as emissões variaram entre 109% e 120% do CDI. A taxa média para papéis com vencimento em três meses caiu de 100,40% para 99,92% do CDI, e para os de 24 meses, a média recuou de 99,61% para 99,07%. Segundo Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, a regulação do FGC e a expectativa de queda da Selic limitam a capacidade de oferecer taxas elevadas.
Mudanças nas Contribuições
A principal alteração no FGC é a contribuição adicional para bancos que captam mais de 60% de seus recursos por meio de produtos cobertos. Essa contribuição aumentou de 0,01% para 0,02% dos depósitos garantidos, reduzindo o espaço para taxas altas. Belitardo destaca que essa mudança pode elevar os custos de captação, especialmente para instituições menores, tornando menos frequentes os CDBs que pagam 115% ou 120% do CDI.
Gabriel Santos, especialista da Bloxs, explica que, embora não haja um teto explícito, a nova estrutura de custos deve estabelecer um limite prático para a remuneração dos CDBs, estimado em torno de 120% do CDI. A demanda por financiamento dos bancos está baixa, enquanto a procura por instrumentos de renda fixa permanece alta, pressionando as taxas para baixo.
Tendências no Mercado de CDBs
Em agosto, a predominância dos CDBs atrelados à inflação foi notável, com 356 títulos emitidos, em comparação a 287 pós-fixados e 77 prefixados. Santos observa que essa tendência reflete a busca dos investidores por retornos que superem a inflação, especialmente em um cenário de instabilidade econômica.
Nos prefixados de longo prazo, as taxas variaram entre 12,77% e 14,40% ao ano, com uma média de 13,41%, considerada atrativa em um contexto de Selic em queda. Furtado, da W1 Capital, alerta que os prefixados podem ser voláteis no curto prazo, mas oferecem oportunidades de travar remunerações elevadas. No entanto, ele ressalta a importância de manter esses investimentos até o vencimento para evitar perdas.
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