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Consultoria avalia aplicações de fundos de pensão em títulos do Master como seguras

Institutos de previdência enfrentam risco de calote após rebaixamento do Banco Master e críticas à consultoria Crédito e Mercado

Banco Master teve proposta de compra pelo Banco de Brasília recusada pelo Banco Central (Foto: Reprodução)
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  • Sete dos doze institutos de previdência de prefeituras e Estados investiram R$ 233 milhões em letras financeiras do Banco Master, com a consultoria Crédito e Mercado avaliando essas operações como de baixo risco.
  • A Fitch Ratings rebaixou a nota do Banco Master, resultando em críticas à consultoria por suas avaliações inadequadas, que não refletiram o risco real.
  • A situação se agravou após o Banco Central reprovar a compra de parte do Banco Master pelo Banco de Brasília, expondo doze fundos de pensão e um banco público a um risco de calote de até R$ 2,96 bilhões.
  • A Crédito e Mercado justificou suas recomendações com dados como lucro de R$ 291 milhões no primeiro semestre de 2023 e um índice de Basileia de 12,32%.
  • Relatórios anteriores já haviam alertado sobre a falta de liquidez do Banco Master, um fator que contribuiu para sua crise atual.

SÃO PAULO E BRASÍLIA – Sete dos doze institutos de previdência de prefeituras e Estados que investiram em letras financeiras do Banco Master foram orientados pela consultoria Crédito e Mercado, que avaliou essas operações como de baixo risco. O total investido chega a R$ 233 milhões, mas essas aplicações não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em caso de insolvência do banco.

A Fitch Ratings rebaixou recentemente a nota do Banco Master, levando a consultoria a ser criticada por suas avaliações que não refletiram o risco real, expondo os fundos a perdas significativas. Em um parecer de fevereiro de 2024, a Crédito e Mercado afirmou que a classificação do banco indicava “baixo risco de inadimplência”, mas essa análise se baseou em uma interpretação equivocada da escala de notas da Fitch.

A situação se agravou com a reprovação pelo Banco Central da compra de parte do Master pelo Banco de Brasília (BRB), o que deixou doze fundos de pensão e um banco público expostos ao risco de calote de até R$ 2,96 bilhões. A consultoria, que se diz especializada em entidades públicas, justificou suas recomendações com dados como o lucro de R$ 291 milhões no primeiro semestre de 2023 e um índice de Basileia de 12,32%, acima do mínimo exigido.

Entretanto, a análise da Crédito e Mercado foi criticada por não considerar que o Master era classificado como um banco complexo, com estruturas de baixa visibilidade. Relatórios anteriores já haviam alertado sobre a falta de liquidez do banco, um dos fatores que contribuíram para sua atual crise. A Fitch, ao revisar a nota do Master, destacou a pressão sobre a liquidez e o acesso a financiamento.

A Crédito e Mercado, que possui 400 clientes e R$ 36 bilhões sob sua consultoria, tem enfrentado desafios, incluindo investigações relacionadas a esquemas de desvio em fundos de pensão. O CEO da consultoria, Renan Calamia, reiterou que seu papel é consultivo e que as decisões de investimento cabem aos gestores dos fundos.

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