- O escritor Pete Brown analisa o conceito de “premium” no setor de cervejas e critica o marketing que o sustenta.
- Define que a nomenclatura varia, com ales acima de 4,2% de ABV e lagers acima de 4,5% sendo apontadas como premium, mas sem consenso real.
- O texto descreve a premiumização como ponte entre luxo e consumo de massa, usada para persuadir o público a comprar algo que não necessariamente precisa.
- Observa a evolução de categorias como premium, super-premium e ultra-premium, usadas por grandes cervejarias para sustentar margens maiores, às vezes sem melhoria de qualidade.
- Propõe uma definição prática de premium: “algo que é melhor do que absolutamente precisa ser”, destacando que esse padrão verdadeiro é raro fora do que o autor chama de setor pós-craft.
Soa como marketing puro, mas a discussão sobre o que torna uma cerveja “premium” continua relevante. Pete Brown, escritor premiado, analisa o setor pós-craft e afirma que o público merece clareza e qualidade reais, não apenas rótulos.
Segundo Brown, o conceito de premiumização se manteve desde os anos 80, mas a prática mudou. Hoje, marcas tentam capturar desejo de luxo para o consumo de massa, sem necessariamente entregar valor superior contínuo.
O texto aponta que o termo não é padronizado. Em geral, países e empresas associam premium a teor de álcool, embalagem ou preço, mas isso nem sempre se traduz em qualidade percebida pelos consumidores.
Definição de premium
A definição de premium no mercado britânico costuma relacionar-se ao teor alcoólico, com lages acima de 4,5% e ales acima de 4,2%. Contudo, a prática é contestada, pois não reflete necessariamente qualidade ou autenticidade.
Definições de agências de branding veem premium como a ponte entre luxo e mercado de massa. O autor diverge dessa visão, oferecendo outra leitura da ideia de premium.
Evolução do conceito
O texto relembra campanhas de Stella Artois, que elevavam o produto a status premium na década de 1990, apesar de depois ter sido visto como comum. A evolução, segundo Brown, normaliza o que já foi desejado.
Outra referência é Absolut, cuja imagem permaneceu estática, mas o mercado passou a tratar o rótulo como padrão. A mudança está na percepção do que é premium, não apenas no packaging.
Hierarquias das grandes cervejarias
Grandes grupos investem em segmentos como “premium” e “above premium” para justificar margens. Marcas listadas variam entre “táticas” internacionais e categorias de alto valor, sem consenso sobre qualidade.
No caso da Molson Coors, a classificação vai de Economy a Above Premium, com marcas em posições improváveis. O verdadeiro valor percebido, diz o autor, raramente é reconhecido pelos consumidores.
Consumidores e o mercado
Brown ressalta que muitos consumidores não reconhecem as hierarquias de marketing. A demanda por “premium verdadeiro” cresce entre quem busca bebidas com qualidade real, não apenas rótulos.
Com a tendência de consumir menos, porém melhor, o público tem buscado bebidas que entreguem valor consistente. Em vez de novas categorias, o mercado precisaria de ofertas realmente superiores.
O que seria premium de fato
Propõe uma definição alternativa: algo que seja melhor do que necessariamente precisa ser. Em várias áreas, esse padrão existe, mas no setor de cerveja ainda é raro fora do pós-craft. A ideia é focar em qualidade real e entrega consistente.
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