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Vale fecha acordo com Shandong para fretar os primeiros navios movidos a etanol

Vale fecha afretamento de vinte e cinco anos com Shandong para dois navios transoceânicos movidos a etanol, com entrega a partir de dois mil e vinte e nove, no impulso à descarbonização da frota

Terminal capaz de carregar os maiores navios de minério de ferro em São Luís
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  • A Vale fechou um contrato de afretamento de vinte e cinco anos com a Shandong Shipping Corporation para os dois primeiros navios transoceânicos movidos a etanol, com entrega a partir de 2029.
  • Os navios, do tipo Guaibamax de segunda geração, terão 340 metros de comprimento, capacidade de 325 mil toneladas de minério de ferro e virão com velas rotativas para energia eólica e outras melhorias de eficiência.
  • A medida integra a estratégia de descarbonização da frota da Vale, buscando maior flexibilidade diante de eventos como a guerra no Irã e interrupções no Estreito de Ormuz.
  • O valor do contrato não foi divulgado; há opção de aquisição de mais embarcações no acordo.
  • A Vale negocia fornecimento de etanol principalmente no Brasil, estima uso de cerca de 10 mil toneladas por viagem para a Ásia, e já opera cerca de cinquenta navios Guaibamax, com planos de adicionar dez navios bicombustíveis com entrega entre 2027 e 2029.

A Vale fechou um contrato de afretamento de 25 anos com a chinesa Shandong Shipping para a construção dos dois primeiros navios transoceânicos movidos a etanol. A parceria foi anunciada pelo diretor de navegação da companhia, Rodrigo Bermelho, à Reuters.

A iniciativa integra a estratégia de descarbonização da frota da Vale. Quando as embarcações entrarem em operação, a entrega está prevista para 2029. Os navios, do tipo Guaibamax de segunda geração, terão 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas de minério de ferro.

Os mencionados navios contarão com velas rotativas para energia eólica, motores mais eficientes e dispositivos que reduzem a resistência, visando melhoria na eficiência energética. A Vale destacou que o projeto representa um passo relevante na transição para combustíveis menos poluentes.

A decisão ocorre em um contexto de tensões no abastecimento de petróleo e derivados, com a guerra no Irã e problemas no Estreito de Ormuz. A companhia vê a flexibilidade logística como essencial para manter o fluxo de exportação diante de cenários voláteis.

Bermelho afirmou que a descarbonização é uma tendência irreversível e está no centro da estratégia da Vale, que busca reduzir emissões em toda a cadeia, não apenas no transporte. O executivo ressaltou a necessidade de um sistema logístico robusto para enfrentar mudanças de mercado.

A Vale informou que mantém flexibilidade na frota, contratos de longo prazo e hedge de combustível marítimo. Em recente reunião com analistas, o presidente Gustavo Pimenta disse que cerca de 75% da exposição está protegida.

Sobre o valor do contrato com a Shandong, Bermelho disse que não há divulgação por confidencialidade, mas classificou o acordo como significativo pelo prazo. O documento ainda prevê a possibilidade de aquisição de mais embarcações.

Desde 2020, a Vale investiu aproximadamente US$ 1,4 bilhão para reduzir emissões nos ensaios de escopo 1, 2 e 3, mantendo meta de 15% de redução no escopo 3 até 2035, conforme a própria mineradora. O transporte marítimo representa boa parte dessas emissões.

O uso de etanol pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa de navios em cerca de 90% frente ao óleo combustível pesado. Iniciativas semelhantes já vêm sendo avaliadas globalmente, com a Maersk anunciando testes de mistura de etanol em 50%.

Além do etanol, as novas embarcações poderão usar metanol, óleo pesado e projetadas para possível conversão para gás natural liquefeito (GNL) ou amônia. A estimativa é de que o etanol renda cerca de 10 mil toneladas por viagem para a Ásia.

A Vale ainda negocia o fornecimento de biocombustível principalmente com produtores brasileiros, mantendo a busca por condições de mercado competitivas. A empresa opera hoje cerca de 50 navios Guaibamax e planeja 10 novas opções bicombustíveis com entrega entre 2027 e 2029.

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