- O Brasil gera mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano.
- O projeto RECUPER3, conduzido pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mapeou a cadeia de resíduos e identificou 13 atores-chave, estruturando oito modelos de negócio viáveis.
- O estudo revela que 81,2% dos brasileiros guardam equipamentos obsoletos em casa, com substâncias tóxicas; a rede de pontos de entrega voluntária é insuficiente e a adesão do varejo às obrigações legais é baixa.
- O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás da China, e atrai interesse internacional, como a compra do Grupo Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.
- O Projeto de Lei nº 2.780/2024 avança no Congresso para instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com incentivos à transformação mineral e à economia circular no país.
Na corrida global por minerais críticos, o Brasil avançou no mapeamento da chamada mina urbana presente nos resíduos eletrônicos. O estudo, realizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, revela o potencial estratégico de lítio, cobalto e outros materiais presentes em celulares e computadores. O projeto RECUPER3 aponta caminhos para transformar lixo eletrônico em insumo para a indústria nacional.
O mapeamento foi apresentado como o mais abrangente sobre a cadeia de resíduos eletroeletrônicos do país. O Brasil produz mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos por ano, com grande parte ainda sem tratamento adequado. O objetivo é estruturar uma cadeia formal, que hoje existe de forma fragmentada.
A iniciativa identificou 13 atores-chave na cadeia, como comerciantes, catadores, recicladores, assistências técnicas e órgãos ambientais, além de estruturar 8 modelos de negócio viáveis. O estudo também avaliou rotas tecnológicas para a revalorização de minerais presentes nos resíduos.
Do lixo ao insumo estratégico
Em vez de depender de importações, o projeto pretende coletar equipamentos descartados, processá-los com tecnologia apropriada e reinserir os minerais recuperados na indústria nacional. Com rastreabilidade e políticas consistentes, a chamada mineração urbana pode fortalecer a soberania tecnológica do Brasil, segundo a CETEM.
O relatório detalha ainda um índice de retenção domiciliar: 81,2% dos brasileiros guardam equipamentos obsoletos em casa, muitas vezes com substâncias tóxicas. A maior parte do material permanece sem coleta adequada, e a adesão do varejo às obrigações legais ainda é baixa, apesar do Decreto de Logística Reversa.
Cenário internacional e agenda regulatória
O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, o que atrai interesse externo. Na prática, empresas estrangeiras buscam ativos capazes de produzir neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, elementos-chave para turbinas, veículos elétricos e tecnologia digital.
O Brasil acompanha esse movimento em meio a negociações globais. A última semana trouxe notícia de aquisição de grupo relevante por uma empresa norte-americana, sinalizando o interesse internacional na cadeia de minerais críticos. O cenário geopolítico coloca o país como elo estratégico entre extração, refino e cadeia de suprimentos.
Avanços legais e perspectivas
O Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, deve ser apreciado na Câmara dos Deputados ainda nesta semana. O texto propõe incentivos, priorização regulatória e estímulos à transformação mineral no país, indo além da simples extração.
Com o diagnóstico robusto do RECUPER3, especialistas veem espaço para transformar conhecimento em políticas públicas que fomentem a circularidade de alta tecnologia. A coordenadora do projeto sinaliza que a consolidação do marco legal, aliada a recomendações do estudo, deve trazer resultados significativos para a economia circular brasileira.
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