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“Abanico é visto como símbolo de feminilidade e desafia estereótipos de gênero”

Homens desafiam estigmas e adotam abanicos em eventos, mas preconceitos ainda limitam seu uso cotidiano como acessório unissex

Blanca López (Foto: Blanca López)
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  • Recentemente, homens têm sido vistos usando abanicos em eventos como Wimbledon, o festival de música techno nos Monegros e a celebração do Orgulho em Madrid.
  • Essa prática desafia estigmas de feminilidade associados ao acessório, promovendo sua aceitação como unissex.
  • Javier Llerandi, da loja Casa de Diego, observa que muitos homens ainda preferem pegar emprestado o abanico de mulheres em vez de comprar um para si.
  • A loja, que vende abanicos desde o século XIX, começou a oferecer modelos masculinos no início do século XX, mas a aceitação ainda é limitada.
  • O abanico se tornou um símbolo de resistência na comunidade LGTBI, especialmente durante as celebrações do Orgulho, segundo Rubén Antón, especialista em travestismo.

Recentemente, eventos como o torneio de Wimbledon, o festival de música techno nos Monegros e a celebração do Orgulho em Madrid revelaram uma nova tendência: homens usando abanicos como forma de se refrescar. Essa prática, que historicamente carrega estigmas de feminilidade, está sendo desafiada em grandes eventos, onde centenas de homens foram vistos utilizando o acessório sem constrangimento.

Apesar dessa mudança visível, o uso diário do abanico por homens ainda enfrenta preconceitos. Javier Llerandi, da loja Casa de Diego em Madrid, observa que muitos homens ainda preferem pegar emprestado o abanico de mulheres, em vez de adquirir um para si. “São puros estereótipos”, afirma Llerandi, ressaltando que a aceitação do abanico masculino é um processo em evolução.

A História do Abanico Masculino

A loja Casa de Diego, que vende abanicos desde o século XIX, começou a oferecer modelos para homens no início do século XX. Esses abanicos foram adaptados para serem mais discretos e práticos, permitindo que os homens os carregassem em seus bolsos. “O objetivo era criar um acessório que fosse aceitável para o homem”, explica Llerandi. No entanto, essa aceitação ainda é limitada, com muitos homens evitando o uso do abanico fora de contextos específicos.

Historicamente, o abanico foi um acessório unissex, utilizado por homens em épocas passadas. Com a evolução da moda masculina, o uso do abanico foi relegado a um símbolo de esnobismo, aparecendo em eventos exclusivos como casamentos e torneios de tênis. Carlos Sánchez de Medina, historiador de moda, destaca que a moda masculina se tornou monótona até o surgimento de movimentos que desafiaram essas normas.

O Abanico como Símbolo de Luta

O abanico também ganhou um novo significado dentro da comunidade LGTBI, especialmente durante as celebrações do Orgulho. Rubén Antón, especialista em travestismo, explica que o abanico se tornou um símbolo de resistência e afirmação. “É uma maneira de dizer: ‘Aqui estamos'”, afirma Antón, ressaltando a importância do acessório na luta contra o patriarcado.

Embora o uso do abanico por homens esteja crescendo em ambientes performativos, ainda persiste o estigma de que é um acessório feminino. Llerandi observa que a maioria dos homens que compra abanicos na Casa de Diego o faz para presentear. A loja, que se adaptou às mudanças de moda ao longo de seis gerações, continua a oferecer uma variedade de modelos, mas os abanicos masculinos ainda ocupam um espaço limitado nas prateleiras.

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