- Biografia inédita de Guimarães Rosa, escrita pelo jornalista Leonencio Nossa, mergulha na vida do escritor mineiro e no contraste entre sertão e urbanização.
- O livro, com 736 páginas, resulta de pesquisa iniciada em 2006 e será lançado hoje, às 18h, no Sebinho.
- Uma das descobertas é a bisavó Graciana, negra possivelmente escravizada, cuja história ajuda a entender a brasilidade e a origem da obra de Rosa.
- O trabalho também mostra o sertão de Rosa como um espaço em transformação, com influência de urbanização e da vida rural que convive com a modernidade.
- Nossa ressalta a linguagem única de Rosa, não como invenção, mas como expressão de línguas já existentes no Brasil, com fortes referências indígenas, africanas e ibéricas.
Centrada na vida de Guimarães Rosa, a biografia ineditada revela aspectos fundamentais do médico diplomata, do novelista e do soldado que moldaram a obra do mineiro de Cordisburgo. O livro propõe uma leitura que vai além da ficção, explorando as raízes históricas, familiares e sociais do escritor.
Desenvolvida por Leonencio Nossa, a obra chega ao público hoje, às 18h, no Sebinho. Resultado de uma pesquisa iniciada em 2006, a publicação tem 736 páginas que reconstroem a trajetória do autor, sua família e o sertão presente em boa parte de seus textos.
O autor explica que Rosa não criou uma linguagem, mas articulou uma forma de falar presente nos sertões brasileiros. A biografia destaca o médico que evitava sangue, o diplomata que pensou numa carreira rotineira para ler mais, e o capitão-médico voluntário na revolução de 1932.
Entre as contribuições, Nossa destaca a bisavó Graciana, negra e possivelmente escravizada, cuja história foi apagada pela tradição historiográfica. Graciana surge como peça-chave para compreender a brasilidade que alimenta a obra do escritor.
Segundo o pesquisador, a figura de Graciana ajuda a interpretar a relação de Rosa com a família e com a sociedade brasileira. Ela seria a ligação entre o mundo escravizado e a formação de um narrador que dialoga com várias tradições culturais.
Outra linha de abordagem é a visão menos romântica do vínculo de Rosa com o mundo rural. Embora de fazenda, ele nasceu em um contexto urbano emergente, no qual Belo Horizonte e Cordisburgo vivenciaram transformações importantes.
Nossa afirma que o sertão do escritor é dinâmico, em plena transição entre tradição e modernidade. A urbanização aparece como elemento constante, influenciando a criação literária e a percepção do sertão na obra.
O livro também discute a recepção da obra de Rosa no mercado editorial. Apesar de ser visto como difícil por alguns, ele alcançou grandes tiragens e influenciou cinema, música e outras artes, em um dinamismo típico de obras de complexa linguagem.
O maior desafio da pesquisa foi expor um Rosa real, afastando a imagem ficcional que marca boa parte de sua recepção. A obra busca situar o autor no mesmo Brasil que ele retrata, com questões como amor, poder e saúde mental ainda atuais.
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