Francesca Albanese, relatora especial da ONU, acusou Israel de genocídio em Gaza em seu relatório “Anatomia de um Genocídio”, publicado em março de 2024. Albanese, que ocupa o cargo desde 2022, documentou mais de 30 mil mortes, incluindo 13 mil crianças, e a destruição de 70% das áreas residenciais. A jurista destacou que a comunidade internacional, incluindo o Brasil, se isenta de responsabilidade diante da situação “apocalíptica” em Gaza.
A relatora também mencionou que 80% da população de Gaza está deslocada, e que a ONU não tem conseguido agir de forma eficaz. Em seu relatório, Albanese identificou três atos que caracterizam o genocídio: matar membros de um grupo, causar danos físicos ou mentais graves e impor condições de vida que visam a destruição do grupo. Ela afirmou que a intenção destrutiva por parte de Israel é evidente, citando declarações de líderes israelenses que desumanizam os palestinos.
A situação em Gaza é descrita como um desastre criado pelo homem, e Albanese criticou a falta de ações concretas por parte da comunidade internacional, que se limita a emitir condenações. Ela pediu que os Estados-membros da ONU suspendam o comércio e imponham sanções a Israel. A relatora também comentou sobre a crescente violência contra jornalistas, com a morte de cinco profissionais em um ataque recente, e a dificuldade de acesso à informação em Gaza.
A França e outros países do G7 planejam reconhecer um Estado palestino na Assembleia Geral da ONU, mas Albanese questiona a sinceridade dessa medida, sugerindo que pode ser uma forma de ganhar tempo enquanto a situação se agrava. Ela enfatizou que a solução de dois Estados ainda é possível, mas depende de ações concretas e imediatas da comunidade internacional.
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