Em 2018, os cuadernos de Oscar Centeno expuseram uma vasta rede de corrupção na Argentina, envolvendo altos funcionários do governo Kirchner e empresários que pagavam propinas. Recentemente, cerca de 40 empresários tentaram evitar o julgamento, agendado para 6 de novembro, oferecendo dinheiro e bens à Justiça. A fiscal Fabiana León se opôs a essas propostas, afirmando que aceitá-las banalizaria o processo penal.
Durante uma audiência virtual, os empresários apresentaram ofertas que variavam de 181,2 milhões de pesos (aproximadamente 125 mil dólares) a um departamento em Miami e um yate avaliados em 1,5 milhão de dólares. A maioria das propostas estava relacionada a embargos financeiros que pesavam sobre eles. Entre os acusados, Armando Loson, do Grupo Albanesi, e Ernesto Clarens, que gerenciou as finanças dos Kirchner, foram alguns dos que tentaram negociar.
A fiscal León destacou que aceitar essas ofertas significaria privatizar o interesse público e abrir um mercado de impunidade. O titular da Direção de Litígios da Unidade de Informação Financeira, Mariano Galpern, concordou, afirmando que isso enviaria uma mensagem de impunidade a quem detém poder econômico. O tribunal, composto pelos juízes Fernando Canero, Enrique Méndez Signori e Germán Castelli, convocou uma nova audiência para ouvir as defesas dos acusados.
O julgamento, que envolve 74 imputados, incluindo a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, gera grande expectativa na Argentina. Kirchner, que cumpre prisão domiciliar desde junho, é acusada de liderar uma associação ilícita que arrecadava fundos por meio de sobornos em contratos de obras públicas. A situação continua a se desenrolar, com o país observando atentamente os desdobramentos desse caso emblemático de corrupção.
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