Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Entenda como funciona o voto nas eleições de meio de mandato dos EUA

Ao contrário da eleição para presidente, o voto para o Congresso é direto, e as regras variam conforme o estado

Mão segura envelope azul-claro com cédula do voto pelo correio diante de uma urna de coleta azul do condado de Sonoma, na Califórnia
Além de votar no dia da eleição, americanos podem ir às urnas antecipadamente ou enviar o voto pelo correio | Imagem de arquivo (Crédito: Reprodução/Sarah Stierch/Wikimedia Commons)

Os americanos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que acontecem na metade do governo do presidente. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, além de cargos estaduais e locais que variam conforme o estado.

Diferentemente da eleição para presidente, a escolha dos parlamentares não passa pelo Colégio Eleitoral. Vale o voto popular em cada distrito ou estado, e o resultado define qual partido terá maioria na Câmara e no Senado pelos próximos dois anos. Isso vai influenciar a capacidade do governo do presidente Donald Trump de aprovar suas propostas.

Trump oferece US$ 1 milhão por denúncias de fraude nas eleições nos EUA

Como funciona a eleição para o Congresso

Nos Estados Unidos, cada estado organiza a própria eleição e define boa parte das regras, inclusive o critério para definir o vencedor de cada disputa.

Câmara dos Representantes

Os deputados federais têm mandato de dois anos, por isso todas as 435 cadeiras são renovadas a cada eleição. Os estados são divididos em distritos de acordo com o número de cadeiras, e cada distrito elege um representante.

O tamanho das bancadas acompanha a população. A Califórnia tem 52 cadeiras, enquanto estados menos populosos, como Vermont, Wyoming e Alasca, elegem apenas um deputado cada.

Após derrota de Flávio, Trump diz que eleição no Brasil pareceu “fraudada”

Além dos 435 deputados, a Câmara tem um representante da capital, Washington, D.C., que não é um estado, e um de cada território, como Porto Rico e Guam. Eles têm as mesmas atribuições dos demais deputados, mas não podem votar no plenário.

No Maine e no Alasca, as disputas federais usam o voto ranqueado, sistema no qual o eleitor ordena os candidatos por preferência. Na Geórgia, a lei estadual exige maioria dos votos. Se ninguém passar de 50%, os dois mais votados disputam um segundo turno 28 dias depois, que este ano cai em 1º de dezembro.

A Louisiana tem um sistema próprio para a Câmara. Em vez de primárias partidárias, todos os candidatos a deputado federal disputam juntos no dia 3, independentemente do partido. Se nenhum obtiver maioria, os dois mais votados voltam às urnas em 12 de dezembro.

Com 32%, aprovação de Trump segue na pior marca, aponta Reuters/Ipsos

Senado

O Senado tem 100 integrantes, dois por estado, com mandatos de seis anos. A capital e os territórios não têm senadores. 

A renovação é escalonada, e um terço das cadeiras entra em disputa a cada dois anos. Por isso, nem todos os estados têm que eleger um senador este ano. Nos estados com disputa, todos os eleitores escolhem entre os mesmos candidatos, sem divisão por distrito. 

O voto direto para o cargo existe desde 1913, com a 17ª Emenda à Constituição. Antes disso, os senadores eram escolhidos pelas assembleias legislativas estaduais.

Na Geórgia, a regra de maioria também vale para o Senado. Na Louisiana, os candidatos de todos os partidos disputavam em novembro, como os deputados federais este ano, segundo a Conferência Nacional das Assembleias Estaduais (NCSL, na sigla em inglês). A partir de 2026, porém, o estado passa a seguir o modelo da maioria do país, com primárias partidárias e eleição geral no dia 3.

Trump diz que respeitará resultado das eleições dos EUA “se forem honestas”

As primárias

Antes de novembro, os partidos definem seus candidatos nas primárias, que seguem regras diferentes em cada estado. Este ano, elas começaram em 3 de março e terminaram em 15 de setembro. Em alguns estados, a disputa podia ter segundo turno, dependendo do resultado.

Califórnia e Washington são exceções. Nos dois estados, todos os candidatos ao Congresso disputam a mesma primária, e os dois mais votados vão para a eleição geral, mesmo que sejam do mesmo partido. No Alasca, o sistema é parecido, mas avançam os quatro mais votados.

Quem pode votar em cada primária também depende do estado. Onde as primárias são fechadas, só participam eleitores registrados no partido. Na eleição geral, em 3 de novembro, qualquer eleitor pode votar no candidato que quiser.

Trump diz que aprova ida de Flávio Bolsonaro aos EUA

Como os americanos votam

Nos Estados Unidos, o voto é facultativo. Nenhuma lei obriga o cidadão a ir às urnas em eleições locais, estaduais ou presidenciais.

Quem quiser participar, porém, precisa fazer o registro como eleitor. A exceção é a Dakota do Norte, único estado sem registro. Lá, basta apresentar um documento de identidade válido.

Nos demais, cada estado define as próprias regras, e não há prazo nacional. Em alguns lugares, o registro termina 30 dias antes da eleição, enquanto em outros pode ser feito no próprio dia.

A data da votação é fixada por lei federal na terça-feira seguinte à primeira segunda-feira de novembro, nos anos pares. O eleitor pode votar de três formas, conforme as regras do estado.

EUA recebem 1 milhão de barris de petróleo do acordo com a Venezuela

Presencialmente no dia da eleição

Nesse caso, o eleitor vai à seção designada no próprio dia 3. Em 2024, essa foi a opção de 37,4% dos eleitores, segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC, na sigla em inglês).

Voto antecipado

O eleitor também pode votar pessoalmente nos dias ou semanas anteriores. Segundo o Ballotpedia, enciclopédia política mantida por uma organização sem fins lucrativos, 47 estados e Washington, D.C. oferecem essa possibilidade sem exigir justificativa. 

A EAC indica que, em 2024, 35,2% dos eleitores votaram dessa forma.

EUA ordenam retirada funcionários da embaixada na Arábia Saudita

Pelo correio

Outra opção é receber a cédula em casa, preenchê-la e devolvê-la. De acordo com a NCSL, oito estados enviam cédulas a todos os eleitores registrados. São eles Califórnia, Colorado, Havaí, Nevada, Oregon, Utah, Vermont e Washington.

Em outros estados, o eleitor precisa solicitar a cédula, e alguns ainda exigem uma justificativa, segundo a mesma entidade. Militares e cidadãos que vivem no exterior podem se registrar e pedir o voto pelo correio por meio de um formulário federal. Na eleição de 2024, 30,3% dos votos foram enviados pelo correio, segundo a EAC.

Em junho, a Suprema Corte decidiu que os estados podem contar cédulas postadas até o dia da eleição e recebidas depois, desde que a lei estadual permita. 

Morre juiz americano responsável pelo julgamento de Maduro e esposa

Equipamento de votação

Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não têm um modelo único de equipamento de votação usado em todo o país. Na maior parte dos estados, o eleitor pode marcar uma cédula de papel à mão, que é posteriormente lida por um scanner, ou usar uma tela que imprime a cédula com as escolhas, segundo a organização Verified Voting.

Em alguns lugares, porém, só existe o modelo com tela. É o caso de Geórgia, Carolina do Sul e Delaware, de acordo com a organização. Em Nevada, um dos oito estados que enviam a cédula pelo correio a todos os eleitores registrados, quem prefere votar pessoalmente também só encontra o modelo com tela nos centros de votação.

A Louisiana é a única exceção ao registro em papel no país. Assim como no Brasil, o estado usa apenas urnas totalmente eletrônicas, sem comprovante impresso, e concentra 1,3% dos eleitores registrados dos Estados Unidos, segundo a Verified Voting.

Trump diz que eleições no Brasil foram uma “vergonha”

Quando sai o resultado

Depois do fechamento das urnas, as autoridades eleitorais começam a divulgar a contagem dos votos, atualizada até que todas as cédulas sejam apuradas. Esses números ainda são provisórios, mas a imprensa costuma usá-los para projetar os vencedores, segundo a EAC.

Nos dias seguintes, os responsáveis conferem se o total de cédulas corresponde ao número de eleitores que votaram. A maioria dos estados também faz uma auditoria para verificar se os equipamentos contaram os votos corretamente.

Em alguns casos, os votos são recontados, a pedido de candidatos ou eleitores, por determinação da Justiça ou por exigência da lei quando a diferença fica abaixo de um limite definido por cada estado.

Só depois de todas essas etapas vem a certificação, quando as autoridades confirmam formalmente o resultado. Os eleitos tomam posse em 3 de janeiro de 2027.

Trump sobre carta de Flávio: “Não vou comentar, não vou me envolver”

Como é a eleição para presidente

Ao contrário de deputados e senadores, o presidente e o vice não são eleitos diretamente pelo voto popular, mas sim pelo Colégio Eleitoral. O sistema está previsto na Constituição e foi pensado como um meio-termo entre a votação pelos cidadãos e a escolha pelo Congresso. A próxima eleição presidencial será em 2028.

Os delegados que formam o Colégio Eleitoral são indicados pelos partidos. Antes da eleição, os partidos de cada estado montam uma lista de nomes comprometidos com seu candidato à Presidência, seguindo regras que variam conforme a legislação local.

Quando o eleitor vota em um candidato, está votando, na prática, na lista de delegados ligada a ele. Depois da eleição, o governo de cada estado registra oficialmente quais delegados foram escolhidos.

ONU pede fim do embargo a Cuba, mas apoio é o menor desde 1995

O número de delegados de cada estado é igual ao tamanho da sua bancada no Congresso. A Califórnia, por exemplo, tem 52 deputados e dois senadores, o que dá 54 delegados. Já a capital, Washington, D.C., tem três delegados, garantidos por uma emenda à Constituição. No total, são 538, e vence quem reunir pelo menos 270.

Em 48 estados e em Washington, D.C., o candidato mais votado fica com todos os delegados locais, enquanto Maine e Nebraska adotam um sistema proporcional. Pelas regras do Colégio Eleitoral, é possível vencer a eleição mesmo perdendo no voto popular, o que aconteceu em 2000 e 2016.

Na Geórgia, a regra que exige mais da metade dos votos para eleger deputados e senadores não vale para os delegados presidenciais. Por isso, a chapa mais votada vence já no primeiro turno.

Os delegados se reúnem em dezembro em seus estados, e os votos são contados pelo Congresso em 6 de janeiro.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais